O vinho como complemento alimentar

Numa refeição, o vinho, salvo raríssimas exceções, sempre será o coadjuvante, E esta é a razão porque o definimos como complemento alimentar. O prato, por sua vez, será sempre o protagonista da cena enogastronômica e, juntos, quando bem combinados, formam uma unidade perfeita, tornando o conjunto da obra melhor do que quando apreciados isoladamente.

Para melhor entendermos a função dos vinhos, o bom seria classificá-los segundo as etapas de uma refeição. Assim sendo, iniciaremos pelos vinhos aperitivos, que como o próprio nome diz, são aqueles que estimulam ou abrem o apetite do comensal, predispondo-o e preparando-o sensorial e organicamente para a refeição. Tais vinhos são adequados às entradas (saladas e antepastos, aperitivos, petiscos etc.), ou apreciados solo, como forma de preparar as papilas para o repasto que virá. Os vinhos mais adequados como aperitivo são, em geral, leves e secos, notadamente ácidos e, preferencialmente, brancos. Nesta categoria encontram-se os espumantes brut (secos), os vinhos brancos e rosados secos e alguns poucos tintos, que igualmente precisam ser leves, ácidos e secos.
 
Na categoria vinho de mesa, não confundir com a conotação dada aos vinhos comuns (de variedades não viníferas) produzidos no Brasil, enquadram-se os vinhos que acompanham o prato principal numa refeição. Quanto ao tipo, estes podem ser espumantes ou tranquilos. Quando à cor, podem ser brancos, rosados ou tintos, e quanto ao nível de açúcar, recomenda-se que sejam secos e que apresentem uma estrutura compatível com a estrutura do prato em questão, a fim de que não o apaguem, resultando num monólogo, tendo em vista que, o que se busca numa harmonização é um diálogo entre ambos.
 
Com as sobremesas, vêm os vinhos de sobremesa, conhecidos também como vinhos digestivos, por auxiliares na digestão devido à presença do açúcar que, na medida certa, é energia para o organismo. Quanto ao tipo, estes vinhos podem ser espumantes, fortificados ou tranquilos. Quanto à cor, podem ser brancos, rosados ou tintos, porém quanto ao nível de açúcar, são essencialmente doces, e preferencialmente com açúcar residual (açúcar preservado da fermentação). Um bom exemplo de espumante de sobremesa é o Moscatel brasileiro, de fortificado, é o Vinho do Porto doce ou o da Madeira, também doce, de Portugal, e de vinho de sobremesa tranquilo, são os vinhos de colheita tardia ou Late Harvest, produzidos nos quatro cantos do mundo, com as mais variadas uvas brancas ou tintas.
 
Um ótimo começo para desfrutar dos prazeres da mesa, em toda sua plenitude, será compreender que vinhos exatamente ocupam bem a função de complemento alimentar, em cada uma destas etapas numa refeição.
 
 

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