O Vinho no Restaurante

 

Parafraseando o que dizem os portugueses a respeito do bacalhau, vinho não é bebida, vinho é vinho. Indo mais além, transcendendo os limites literais da palavra e intuindo o seu sentido mais usual, caberia dizer que: o vinho é um complemento alimentar, tal como o dizem os europeus.

 
Por complemento subentende-se algo indissociável ou parte integrante de alguma coisa (neste caso do alimento), tal como no popular adágio: unha e carne. 
 
Visto dessa forma, a venda do vinho, prática dos Sommeliers, maitres e garçons nos restaurantes, pode ser encarada como uma venda agregada, ou adicional. Algo sem o qual a refeição resultaria incompleta, tornando manco o repasto, ainda que delicioso.
 
No outro extremo da apreciação, ou da devoção ao vinho, prática dos enófilos e enomaníacos, tenho visto pessoas que freqüentam restaurantes, usarem o prato e não o vinho, como complemento, invertendo os papéis na cena da mesa, onde o alimento, salvo raras exceções, será, quase sempre, o protagonista e o vinho o seu mais elementar coadjuvante. 
 
Se couber estabelecer ao comensal uma ordem de pedido à mesa, valeria dizer que o prato tem primazia, depois do que se pede o vinho, considerando o tipo e a casta que melhor se adéquam à comida escolhida, e o preço que se estar disposto a pagar. É por esta razão que o cardápio vem primeiro na apresentação, e a carta de vinho somente é apresentada ao cliente depois. 
 
Num restaurante que prima pela venda de vinhos, a equipe jamais se esquece de apresentar a carta, e quando o faz, apresenta-a aberta (jamais fechada), como que convidando o cliente a uma viagem sensorial com os vinhos ali representados. 
 
Uma boa carta de vinhos, não é a que reúne os melhores e mais caros vinhos do mundo, nem a que tem o maior número de rótulos, mas a que está alinhada com o cardápio do restaurante, com o perfil dos clientes que o freqüenta, que dá opções variadas aos clientes, pratica preços justos e tem um layout de fácil compreensão. 
 
A carta de vinhos precisa sintetizar o conceito do restaurante, mostrando-se coerente com tudo que o constitui: espaço, pratos, serviços, estilo, tendências gastronômicas, etc. tornando o lugar holisticamente incomum ao comensal.
 
 

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