O lugar, o mercado e o preço

A disseminação, a popularização e o consumo da culinária e da gastronomia, em todos os âmbitos, têm mudado o comportamento dos consumidores e aficionados por cozinhar. Os novos hábitos de consumo e de convivência vem proporcionando uma nova formatação de consumir e de se relacionar, onde a enogastronomia, em muitas das vezes, é o centro e o motivo desses novos hábitos.

Reunir amigos em torno do fogão e da mesa tem proporcionado ao novo modo de consumir, momentos especiais e inesquecíveis. As conversas animadas, a falta de segurança, o prazer de cozinhar e degustar uma boa bebida e até a legislação de trânsito, proporcionaram modificações nos perfis dos consumidores. 
 
É evidente que o mercado vem tentado se ajustar e adaptar-se a esse novo consumidor, com abertura de novos espaços, novos hipermercados, novos empórios e lojinhas específicas para tal perfil, porém, como todo processo mercadológico e de consumo, a exorbitância dos preços e o cálculo dos preços de venda, feitos apenas na aplicação de margens estratosféricas, fazem com que Natal entre para as capitais mais caras tanto para o consumo fora do lar, quanto para o consumo dentro do lar.
 
Não estamos tratando, aqui, de preços de cesta básica, de preços oriundos de produtos triviais, estamos falando de produtos mais específicos, que poderiam ter seus preços mais altos, tendo em vista a produção diferenciada, escassa, exclusiva, ou outra forma diferenciada em produzir tais itens. Porém, o que se observa é que, no meio dessa panaceia desvairada de preços, todos os produtos, além de preços muito altos em nossa cidade, não tem a qualidade que deveria oferecer em função do preço alto. 
 
Produtos hortifrutigranjeiros, ditos orgânicos (?!) ou artesanais, pratos oferecidos pelos restaurantes, lanchonetes e até mesmo os food-trucks, que deveriam oferecer produtos mais baratos em função da isenção de vários itens que compõem os seus custos, como aluguéis, por exemplo, acabam sendo mais caros que nos estabelecimentos com suas instalações prediais. As grandes redes de supermercados ou as redes locais, mantendo preços absurdos e qualidade questionável, oferecem aos consumidores aquilo que lhes convém, da forma também que lhe é conveniente. Isso aponta que o lucro é o foco principal, não a qualidade! 
 
Conhecemos o mercado e os fundamentos da economia, porém, usar desse artifício e desse argumento para o encarecimento generalizado, pode produzir um efeito contrário, pois ao invés de difundir e aumentar o consumo pode fazer com que o consumidor fique mais receoso, atento e propenso a diminuir a compra. E assim, o mercado pode provocar somente um “tiro no próprio pé” e nossa cidade apenas continuará no cenário taxado de cidade turística e cara para se viver e se consumir.
 
 

Outros Artigos

> leia mais

Comentários

Deixe seu comentário