Mudança de Planos!

Eu sou uma daquelas pessoas que não gostam de alterar programações, mas às vezes não há o que fazer. É preciso sair de sua zona de conforto. Pois bem, então vamos lá. Neste mês, eu falaria sobre as outras duas Escolas Cervejeiras: a Britânica e a Americana. Porém, um evento de extrema magnitude abalou todo o mundo da cerveja (todo mesmo) e fez com que eu realizasse essa “drástica” mudança.
 
Se você acompanha notícias sobre aquisições e fusões de grandes corporações, ou notícias sobre cerveja, deve ter tomado conhecimento de que, no dia 12 de outubro de 2015, a maior produtora de cervejas do mundo a AB InBev (empresa que controla a brasileira Ambev), comprou nada mais nada menos que a segunda maior do mundo no mesmo segmento, a SABMiller. Esta compra movimentou somente cerca de 109 bilhões de dólares. Entende-se que o motivo deste negócio seja a expansão da AB Inbev para o mercado africano, pois a empresa SABMiller (fundada neste continente) tinha ampla vantagem por lá.
 
E o que isso afeta no nosso singelo mercado de Cervejas Especiais? Uma empresa deste porte, não deixaria de perceber que tal mercado cresce constantemente. Após a incorporação da SABMiller, a AB Inbev passou a deter 400 rótulos de cerveja e entre eles, alguns muito apreciados e conceituados no Mundo Cervejeiro. Exemplos: Pilsner Urquell (ex-SAB), Meantime (ex-SAB), Goose Island (AB Inbev) e Hoegaarden (AB Inbev). Além disso a megacorporação vem comprando outras microcervejarias ou craftbreweries mundo afora. Esta ação já aconteceu no Brasil, também neste ano, com a compra da Wälls e da Colorado, respectivamente a cervejaria mais premiada e a maior (das microcervejarias) de nosso país. Em poucas palavras, a gigante AB Inbev já faz parte desse mercado! Sim, mais uma vez David enfrenta Golias.
 
Preocupados com o que pode ocorrer, nos questionamos da seguinte forma: O que acontecerá com os pobres concorrentes dessa gigante? Será que as belas cervejas compradas pela AB Inbev serão submetidas a alterações de processos e pessoas e perderão sua alma e suas características singulares? Haverá adição de CEREAIS NÃO MALTEADOS (milho e/ou arroz) nessas cervejas?
 
Pessoal, vamos com calma. Nem tudo está perdido. As marcas de cervejas especiais amparadas pela AB Inbev desfrutarão de todo o poderio financeiro e de logística da megacorporação, estas duas variáveis tendem a ampliar o número de consumidores nesse segmento. Quanto à qualidade, vários indícios apontam que, neste momento, não haverá grandes alterações. Para as microcervejarias, o desafio será maior. Para sustentar seu nicho de mercado, elas deverão cada vez mais inovar, lutar pela redução de impostos e evoluir seus processos produtivos a fim de reduzir custos desnecessários e, assim, aproveitar essa excelente oportunidade de aumento de mercado.
 
No final, quem ganha com isso é o consumidor. Se ele seguir exigindo respeito e qualidade, o mercado de cervejas especiais tende a se fortalecer.
 

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