Escolas Cervejeiras II

Voltando ao cronograma, nesta coluna explico para vocês as outras duas escolas cervejeiras: a Britânica e a Americana.
 
Começarei pela mais antiga e tradicional delas: a Britânica.
 
A Escola Britânica possui uma história rica e quase tão antiga quanto a tradicional Escola Alemã. No início, a produção das cervejas era de responsabilidade das esposas, e o local de consumo era a casa de suas famílias. Gradativamente, algumas começaram a ser abertas ao público eram as public house, hoje nosso pub. Antes da utilização do lúpulo, as cervejas britânicas eram aromatizadas com mel e frutas. Quando o lúpulo chegou por aquelas terras, logo tomou este espaço. E desde então, o amargor se tornou uma característica primordial na escola.
 
Apesar de tanta riqueza histórica, muitos apreciadores e cervejeiros não se importam e não dão nenhum valor a ela. O motivo de tanto abandono e "desprezo" é que esta escola é composta por estilos de cervejas menos rebuscadas, menos aromáticas, menos agressivas. E, na maioria dos casos, menos complexas. Caros convivas, menos muitas vezes é mais. Estilos elaborados seguindo características que não se escondem em elementos intensos (muito lúpulo, muito gás, muito álcool etc.) são muito difíceis de serem reproduzidos com tamanha destreza e assertividade. Resumindo, apreciem essa Escola. Vale a pena.
 
Escola Americana: alguns dizem que não existem outros veneram e endeusam. A cerveja chegou ao país na bagagem de seus novos habitantes, os imigrantes europeus (ingleses em sua maioria) e se desenvolveu muito rápido culminando na elaboração do estilo mais vendido no mundo as Standard American Lager (aquela que erroneamente chamamos de "pilsen"). Tudo corria muito bem até 1919, quando entrou em vigor a 18ª emenda à Constituição dos Estados Unidos, que proibia em todo o território estadunidense a produção, importação e venda de todas as bebidas alcóolicas. A volta ao cenário cervejeiro só aconteceu em 1978, quando o presidente Jimmy Carter liberou a produção artesanal da bebida. Iniciou-se uma revolução. As cervejarias proliferaram no país e com elas um jeito novo de fazer cerveja, muitas técnicas de produção foram inventadas e muitos estilos foram revisitados e/ou aprimorados. Quando pensamos em cervejas desta escola, as características que surgem em nossa mente são: inovação, extremismo e ousadia. Justamente por tais características, hoje, boa parte dos apreciadores prefere a Escola Americana.

Outros Artigos

> leia mais

Comentários

Deixe seu comentário