A alquimia do Chocolate

Fotos: Divulgação/Google

 

A alquimia do Chocolate que seduz pessoas e transforma vidas
 
Diante da proximidade do período de Páscoa, o filme escolhido para coluna deste mês não poderia ser mais simbólico: Chocolate. Trata-se de um roteiro dirigido por Lasse Hallstron. E a historia tem como cenário uma pequena aldeia da França, em 1959, onde impera o preconceito e um respeito severo às tradições. A personagem principal é Vianne (Juliette Binoche), que chega à região, com a sua filha de seis anos, disposta a revolucionar as consciências adormecidas das pessoas e a pôr em xeque a autoridade do conde Reynaud, que assume a direção moral da pequena comunidade. Assim que se instala no vilarejo, Vianne abre uma loja de chocolates. Não se trata somente de vendas de produto, o que impressiona é o talento nato que a personagem tem para arte de criar receitas singulares. E é através dessas receitas que ela descobre o mais íntimo desejo de cada pessoa daquele solitário lugar. Além disso, ela personifica signo da ousadia e modernidade: alegre e sem falsos moralismos, usa roupas coloridas e até de sapatos vermelhos. Cena que contrasta com as mulheres da aldeia que usam roupas muito discretas. Muitas delas estão de luto há vários anos, mostrando, assim, o ambiente austero, repressivo, antiquado e tradicionalista do lugar. A figura do conde Reynaud coaduna com essa mentalidade conservadora e preconceituosa, pois o mesmo desempenha na trama um papel de consciência moral dos habitantes. Diante da total desenvoltura de Vianne, o povo sente-se ameaçado em sua cômoda rotina e reage contra o poder de sedução que ela usa através do sabor de seus chocolates. No entanto, a personagem, de forte personalidade, resiste. Essa resistência é domada pela alquimia que envolve a receita do chocolate, uma vez que possibilita o poder mágico de romper com todas as tradições e passionalidade do povo d pacata região francesa.
 
Essa magia se revela pela habilidade que a personagem tem em perceber os gostos ocultos de cada freguês e satisfazê-los perfeitamente com o confeito certo. Assim, nesse ambiente onde se funde o poder do chocolate e a transformação do comportamento das pessoas, gradativamente, cada morador se rende às tentações e à alegria. E os conflitos existenciais entre mãe e filha, a tristeza pela perda de ente querido dão lugar a um clima de dinamismo, amor e o doce sabor do prazer. É, ainda, importante destacar que na cultura Maia, o chocolate é visto como um alimento para a alma. Esse fio é articulado no filme como se o doce fosse uma libertação e/ou liberação dos sentimentos reprimidos, pois Vianne consegue, através de seu toque de fada no ato vender saborosos chocolates, celebrar a vida, o amor à liberdade, o cultivo dos doces sabores da existência. Outro ponto interessante é o que o filme aponta sinais de intertextualidade, em que o leitor mais atento consegue estabelecer analogias com as temáticas dos filmes das colunas anteriores, como Festa de Babette, Comer Beber e Viver e Como Água para Chocolate. Mas, seus ingredientes são irresistíveis e comestíveis.
 
FICHA TÉCNICA
Diretor: Lasse Hallström
Elenco: Juliette Binoche, Judi Dench, Johnny Depp, Alfred Molina, Hugh O'Conor, Lena Olin, Victoire Thivisol, Peter Stormare, Carrie-Anne Moss.
Produção: Leslie Holleran, David Brown, Kit Golden
Roteiro: Robert Nelson Jacobs, a partir de romance de Joanne Harris.
Fotografia: Roger Pratt
Trilha Sonora: Rachel Portman
Duração: 122 min.
Ano: 2000
País: EUA
Gênero: Romance
 

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