Quente queimando

Quente de queimar a língua. Essa é a forma mais costumeira de consumo do cafezinho nas casas dos brasileiros. Muitos o colocam para ferver junto com a água, ou esquentam a bebida mesmo após extraída. Existem, inclusive, algumas máquinas caseiras com seus termostatos ajustados de fábrica para extraírem o café quase a 100° Celsius. Mas seria essa a melhor maneira para conseguirmos extrair o melhor do café? Pensado que ainda precisamos passar um tempo assoprando ou esperando esfriar para podermos beber, me parece mais lógico já preparar a bebida numa temperatura que pudéssemos ingerir imediatamente, sem nenhum dano físico ou incapacidade do nosso paladar em conseguir perceber todos os sabores presentes.
 
O café possui vários compostos que necessitam de temperaturas mais elevadas para conseguirem ser extraídos. Existe, porém, um limite do quão quente deve estar a água. Segundo a Specialty Coffee Association of America (SCAA) a água deve estar entre 91 e 96°C. Abaixo dessa temperatura mínima a bebida fica subextraída, já acima da máxima perde-se a qualidade e torna-se amargo e com sabor de queimado. Na prática equivale a deixar a água fora do fogo, após fervida, por aproximadamente um minuto ou mesmo o tempo de aquecer o filtro e dispor o pó de café no coador.
 
Certo, já entendi que a água deve ter uma temperatura ideal, mas e a bebida do café propriamente dita? É conhecido que cada parte do corpo humano tem uma tolerância confortável a determinada quantidade de calor. No caso da boca e língua, a maior temperatura que ela consegue suportar sem ocorrer queimaduras e ainda sendo possível o paladar distinguir sabores é de 65° Celsius e é a ideal para o café ser degustado, quentinho, saboroso e sem qualquer experiência dolorosa.
 
Para os amantes de um café que cause uma sensação ainda mais quente na boca, uma dica valiosa é aquecer a xícara antes de despejar a bebida. Muitas máquinas de espresso já têm a função de aquecimento para as louças, sendo uma opção bem prática. Ou pode-se simplesmente escaldar os utensílios logo antes de iniciar a extração do café. Desse modo, não se perde a qualidade e ainda tem-se o melhor dos dois mundos.
 
Claro, não existem regras quando o assunto é fazer algo que gostamos. Caso o desejo seja realmente um café derretendo a panela, vá em frente. Pode-se abrir mão de um pouco da qualidade em prol da quentura, se a vontade for essa. Porém, se quisermos degustar e apreciar um café especial em todas as suas nuances faz-se fundamental respeitar esses parâmetros (não somente a temperatura, mas esses serão assuntos para os próximos Papos Café). Então, vai um cafezinho de queimar a língua?

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