Uma Prensa francesa, por favor

Com seu design delicado e sofisticado, a prensa francesa encanta os olhares por onde passa. Parece um artigo de luxo, porém intriga por parecer um mecanismo tão simples. Na xícara, o sabor do café é igualmente curioso, encorpado, mas ao mesmo tempo suave e com características únicas desse método.
 
A prensa francesa iniciou sua história, como diz seu nome, na França, com sua patente registrada em 1852, pelos franceses Mayer e Delforge, segundo Willian H.Ukers no seu livro All About Coffee. Porém, o modelo que conhecemos hoje é uma versão da cafeteira original, que, na verdade é italiana. Attilio Calimani fez algumas pequenas mudanças no modelo original e registrou em Milão, em 1932. Após 26 anos, outro italiano, Faleiro Bondanini, registrou outra patente, com algumas alterações da segunda, que chegou ao modelo moderno que conhecemos. A partir daí, Bondanini popularizou o método distribuindo-o por toda Europa através da empresa Bodum, sendo assim um salto para que a prensa fosse conhecida e disseminada por todo mundo.
 
A cafeteira consiste basicamente de uma jarra de formato cilíndrico, com uma tampa acoplada a uma haste de metal com uma base de pistão e duas finas peneiras de metal, sendo esta do exato tamanho da área do círculo do diâmetro da jarra. A forma de preparo do café é bem simples, mas deve ser observado alguns detalhes a fim de que consiga extrair o melhor do seu grão. Deve-se usar uma moagem mais grossa para o pó, que fica com aspecto arenoso, ou como OvoMaltine. E escaldar o utensílio antes de iniciar a extração, para que o café não esfrie rapidamente. Logo após, posiciona-se o café moído dentro da prensa, e a água quente (aproximadamente 90ºC), em uma proporção de uma colher cheia de sopa de pó para cada xícara de chá de água. Tampa-se o utensílio com o pistão posicionado acima de toda mistura. O café deve descansar e fazer a infusão por aproximadamente 4 minutos. Passado esse tempo, a haste deve ser abaixada lentamente, filtrando o café, depositando a borra no fundo e deixando a bebida para cima e pronta para ser servida. Alguns baristas gostam de retirar a espuma, que fica no topo com a colher. Uma prática que eu defendo, pois, neste caso, nela há compostos voláteis provenientes da torra que, muitas vezes, amargam ou deixam um gosto ruim no café, mas apenas os paladares mais aguçados irão perceber a diferença.
 
Na xícara, o café feito pela prensa francesa destaca as qualidades do grão, é encorpado e mais viscoso (por não passar por filtro de papel), pois apresenta ainda os sedimentos mais finos do café juntamente com os preciosos óleos essenciais, que dão mais sabor e aroma à bebida. Repare ao utilizar esse método que, na superfície da xícara, forma-se uma leve camada oleosa, que estudos mostram que ajuda no controle do colesterol e previne inflamações no fígado. Além disso, possui ainda uma alta concentração de cafeína por ficar um período relativamente alto do café em infusão.
 
O café na prensa francesa apresenta nuances no aroma e no sabor distintos de qualquer outro método, ao mesmo tempo que resgata um toque romântico na preparação com cuidado para que o café saia da melhor forma, desde o design do utensilio, que são todos cuidadosamente fabricados com finos vidros, e ornamentados em sua estrutura, até a moagem especial do grão. E finaliza com todo ritual de extração. Tudo isso a torna uma cafeteira sofisticada, e para ocasiões em que se resolve desacelerar o ritmo do dia e apreciar um bom café em todos os seus detalhes.
 

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