Do campo ao menu gourmet: a vez do Ratatouille

 
Há dez anos, um filme da Disney sobre um ratinho que enfrentou muitas dificuldades para tornar-se chef de cuisine popularizou um prato vegetariano considerado simples e rústico: a Ratatouille.
 
Típica da região de Provence, na França, a Ratatouille é uma presença constante na mesa dos lavradores, por ser uma forma de aproveitar a colheita. Apesar de parecer um prato bem antigo, os historiadores indicam que apenas em 1877 aconteceu a primeira menção à palavra ratatouille, derivada do verbo francês touiller (que significa mexer), se referindo a um cozido de carne. A receita de legumes só foi mencionada na década de 1930.
 
Devido à origem, já dá para se imaginar que a receita varia bastante. Além de tomates e berinjelas, presenças obrigatórias, o prato pode combinar abobrinhas, pimentões e cebolas, com tempero de ervas, alho e azeite de oliva. E para complicar ainda mais a história, esse é um daqueles pratos que cada cozinheiro faz de um jeito... E é claro que cada chef defende sua receita como a verdadeira.
 
Não há sequer concordância sobre tratar-se de uma receita de forno ou de fogão. As receitas mais simples indicam que todos os ingredientes devem ser cozidos juntos, na mesma panela. Outras exigem que os legumes sejam refogados separadamente em duas frigideiras, trabalhando paralelamente, e só juntam tudo no final. Há cozinheiros que grelham os legumes na preparação, e, ainda, aqueles que preferem assá-los. Sem contar com os que misturam duas técnicas na preparação, como começar no fogão e terminar no forno.
 
Só não há divergência sobre a versatilidade da receita, que pode ser servida quente ou fria, como entrada ou acompanhando o prato principal. E vai bem com carnes vermelhas, frango, peixes ou massas.
 
No desenho animado, o simpático ratinho usa sua versão da ratatouille para impressionar um crítico gastronômico rigorosíssimo. Porém não espere que uma ratatouille tradicional seja tão fotogênica quanto a do Remy. A versão dele é, na verdade, a reinterpretação gourmet do chef americano Thomas Keller, que está no cardápio do seu restaurante na Califórnia com o nome de confit byaldi. No entanto, cuidado! Recomendo que na França você não comente o tal filme com os nativos... com certeza vão argumentar que aquela não é a receita verdadeira.
 

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