Memórias e madeleines

 
Embora o macaron provavelmente seja o doce mais procurado pelos turistas que chegam à França, talvez a madeleine seja a sobremesa mais poderosa. Ou pelo menos esse é o ponto de vista que o famoso escritor francês Marcel Proust defenderia, já que no seu livro 'Em Busca do Tempo Perdido', o personagem principal é invadido por memórias de sua infância depois de provar o gosto de uma madeleine molhada no chá.
 
Assim, "la Madeleine de Proust" se tornou uma expressão da língua francesa que se refere à memória involuntária, que acontece quando um som, cheiro ou sabor faz com que uma pessoa se lembre de algo, sem nenhum esforço adicional. A expressão, portanto, traz à tona o poder da memória inconsciente e como ela chega, de repente, de forma forte e irracional.
 
 
À primeira vista, poderia parecer que uma sobremesa francesa com tanto poder estaria associada a grandes segredos culinários... Felizmente, não é assim. A madaleine é feita de farinha, manteiga, ovos e açúcar. O resultado é um bolinho branco moldado em um formato de concha, que o diferencia de outros. A receita, apesar de relativamente simples, conquistou o Rei Luís XV durante uma visita ao seu sogro, o Duque de Lorraine (antigo rei da Polônia exilado na região). Luís XV batizou a iguaria com o nome da cozinheira que o preparara; a Rainha Maria Leszczynska foi responsável por levá-la para Versalhes, onde rapidamente se tornou popular na corte e daí se espalhou pela mesa dos franceses.
 
Desde a metade do século XVIII, a madeleine ganhou diversas variações. Hoje em dia, dois dos chefs mais premiados da França - Alain Ducasse e Joel Robuchon -, têm versões próprias da receita, nas quais introduzem ingredientes extras, como amêndoas ou suco de limão. Entretanto, não é preciso ir a restaurantes caros para provar essa guloseima, já que quase todas as padarias de Paris a produzem. Na sua próxima viagem à Cidade Luz, adicione uma madeleine ao seu roteiro. Se Proust tiver razão, será uma experiência para ficar na memória!
 

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