O complexo universo de ciências que o vinho encerra

Saberes do Vinho - Gilvan Passos

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Conhecer a fundo o vinho pressupõe conhecer igualmente as ciências subjacentes a essa bebida, que não são poucas, e se interrelacionam em diversas fases do seu processo produtivo. É fato que o vinho é feito de uvas e as essas são o fruto da videira ou vinha que, como planta, compete à botânica ou mais precisamente a ampelografia, ciência que estuda a videira ou vinha e suas variedades, castas ou cepas.

A relação da planta (vinha) com o meio ambiente implica o conhecimento das ciências agrárias e suas áreas interdisciplinares, que envolve a gestão do vinhedo, incluem todos os aspectos de que se compõem o terroir e compreendem os fenômenos geoclimáticos, geológicos, ampelográficos microbiológicos, topográficos, tecnológicos e humanos.

Por sua vez, os frutos colhidos, em perfeitas condições de sanidade, maturidade e frescor, aptos à vinificação, pressupõem um amplo conhecimento da microbiologia (atividade pertinente à fermentação), que resultam em um processo químico-físico uma vez que envolve combinações de ordem mecânicas e reativas, fazendo com que o mosto (suco em fermentação) saia do estado estático para o estado dinâmico, gerando compostos e transformações de natureza química através dos micro-organismos (as leveduras), que convertem o açúcar do mosto em álcool, gás carbônico CO2, energia (calor) e diversos outros elementos constituintes do vinho.

Feito o vinho, sua apreciação ideal demanda ainda algum conhecimento técnico sobre a bebida, para converter sensações (de natureza subjetiva) em percepções (de natureza objetiva), tornando possível sua compreensão e expressão que tanto será melhor verbalizada quanto maior for o valor histórico e cultural.

Nesse universo de estudos, não há como negligenciar os povos e culturas que contribuíram decisivamente para o desenvolvimento do vinho, tratado como remédio, alimento, elemento de prazer e alento, mercadoria de troca (escambo) e bem de consumo, elementos que lhe incutiram o sentido de tradição do seu surgimento até os dias atuais, perpassando por centenas de gerações.

Tudo isso posto, há que se ver, ainda, o vinho como um produto comercial, que movimenta anualmente trilhões de dólares no mercado global, gerando milhares de empregos, riquezas e intercâmbios de toda ordem através da globalização, consolidando a economia de alguns países líderes por sua produção e consumo.

Não menos importante é o status, a qualidade de vida e o aspecto salutar que o vinho sugere se, adequadamente, consumido, agindo, ainda em alguns casos, como sinônimo de requinte e sofisticação, e noutros, com agente responsável pelo estilo de vida, bom gosto e acuidade sensorial e intelectual se bem apreciado.

Isso é o vinho!