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Experiência enogastronômica e cultural no Chile
O Chile é um paÃs bem jovem, bicentenário na sua independência (1813), mas maduro na sua história vitivinÃcola, que data do século XVI com a chegada dos colonizadores espanhóis, trazendo suas primeiras uvas colhidas já em 1554, em Santiago.
A primeira casta plantada no Chile foi a Listán Prieto, trazida pelos missionários jesuÃtas nas missões religiosas. Variedade conhecida como PaÃs no Chile, Mission no México, Criola Chica na Argentina e Negra Corriente no Peru.
Séculos de experiências, investimentos e descobertas de novos terroirs, fizeram do paÃs um gigante sul-americano que, segundo a OIV, sagrou-se como maior produtor do continente em 2023, batendo a Argentina, conquistando o 5º lugar no ranking mundial de produção, com 11mhl e o 4º lugar em exportação com 683 milhões de litros. Uma façanha surpreendente para um paÃs de 756.102 Km², o 38º em tamanho no Planeta.
Para descobrir as maravilhas enológicas do Chile, a brilhante equipe DE LOS PASSOS, sob meu comando, esteve no paÃs de 02 a 07 de março, conduzindo um grupo de apaixonados por vinhos de vários lugares do Brasil, em mais uma viagem enogastronômica pelos Vales do Maipo, Cachapoal e Colchagua, em visita a seis vinÃcolas: Almaviva, Haras de Pirque, Viu Manent, Montes, Ventisquero e a modernÃssima Viña Vik.
Foram seis dias de uma experiência em que a gastronomia, as paisagens exuberantes, os vinhos (49 oficialmente degustados), e a amizade, catalisada pelo vinho, irmanaram-nos numa convivência tal, que, de tão harmônica, distância nenhuma dissociará.
Sempre pensei que o melhor do vinho são as pessoas e o melhor delas é a partilha. E o que partilhamos nessa experiência andina foi muito mais do que uma vivência enológica. Ousaria dizer que foi um encontro de almas que vibraram na mesma sintonia, magnetizada pelo vinho.
Todavia, o vinho, nesse contexto, é apenas o catalisador de toda essa experiência, como no fenômeno da transubstanciação. Ele é o caminho que só existe quando passamos, é o objeto que não existe sem o sujeito, é o observado, que não existe sem os olhos do observador.
Por esta razão, expresso nessas palavras minha profunda gratidão a todos, pela companhia partilhada nessa viagem, e por contribuÃrem de forma tão decisiva com o meu crescimento enológico, psicológico, cultural, intelectual e espiritual.