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Café Jaçanã: a essência da cafeicultura potiguar
Em 2022, minha viagem para desvendar o potencial da cafeicultura no Rio Grande do Norte me levou à Fazenda Jaçanã. Situada na mesorregião do Agreste Potiguar, a 160 km de Natal, essa propriedade carrega o nome do município que a acolhe.
Ao chegar, fui cativado pela história compartilhada por Jeremias Fernandes e seu filho, Diogo Castro. Eles me transportaram ao passado, narrando a trajetória do patriarca Firmino Gomes de Castro, que nos anos 70 já cultivava café para atender à demanda da época, quando ostentava o nome de Café Rio Grande. A região de Jaçanã, com sua elevação superior a 600 metros e clima singular, já se mostrava promissora para o cultivo.
No entanto, após o falecimento do seu predecessor, Firmino Castro, a propriedade herdada por Jeremias viu o cultivo de café interrompido por anos, devido às instabilidades enfrentadas no passado.
A surpreendente retomada surgiu durante a pandemia da Covid-19, quando Diogo e sua esposa, Isaura Iduino, redescobriram na fazenda pés de café ainda vivos, com frutos maduros. Esse reencontro inusitado acendeu uma chama, revelando o valor do local e o potencial de um negócio promissor.
A partir daí, a família decidiu reinvestir no cultivo, priorizando a qualidade, o terroir da região e as boas práticas em toda a cadeia produtiva. Hoje, o Café Jaçanã se orgulha de cuidar de todas as etapas da produção, passando pelo cultivo, colheita, beneficiamento, torra, até o embalamento do produto final.
Nos primórdios dessa história, as variedades predominantes eram o Catuaí Vermelho e o Catuaí Amarelo, ambas da espécie Arábica, e ainda hoje é possível encontrar remanescentes dessas plantas na propriedade. Com a ampliação da linha de produção, a fazenda integrou ao cultivo mais três variedades da espécie Arábica, o Catuaí 144, o Arara e o Graúna, trazidos da Bahia, Ceará e Minas Gerais, respectivamente. A escolha por mudas de locais com condições semelhantes às de Jaçanã visou a garantir uma melhor adaptação das plantas.
Além da criteriosa produção de cafés, a Fazenda Jaçanã também abre as porteiras para visitação, oferecendo uma experiência única aos visitantes. É um convite para o público conhecer de perto todo o processo de cultivo do café, desde o pé até a xícara, proporcionando um mergulho nessa fascinante jornada.