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Página anteriorO aumento do teor alcoólico dos vinhos
| Foto: Canindé Soares/Deguste |
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Segundo a revista Adega, em sua edição de junho, desde 1980 é observado um aumento do nível de álcool nos vinhos em escala global. O AWRI (The Australian Wine Research Institute – Instituto de Pesquisas de Vinho Australiano) publicou uma pesquisa feita entre 1984 e 2000 que indicou um aumento de 12,4% para mais de 14%. Outra pesquisa, realizada Californian Grape Crush Report (relatório da safra de uvas da Califórnia) demonstrou que a média subiu de 12,5% (em 1978) para 14,8% em 2001. O mesmo fenômeno também foi observado em outras partes do mundo, até em regiões clássicas, como Bordeaux, França. O crescente teor de álcool resultaria na mudança dos estilos dos vinhos.
Os motivos para o fenômeno são vários, um dos principais seria a mudança dos métodos utilizados na viticultura, provocado pelo desenvolvimento do setor nas últimas duas décadas. O “hang time”(tempo de espera) é o termo utilizado para a prática de deixar as uvas na vinha além do ponto de maturação de açúcar para alcançar maturação fenólica, que resulta no vinho com alto teor de álcool. Outra prática comum que contribui é a remoção das folhas, que por sua vez, expõe a fruta ao sol e melhora o acúmulo de açúcar (e de álcool). Além das castas como a Viognier, Grenache e Zinfandel serem reconhecidas por suas capacidades de acumular altos níveis de açúcar
Finalmente, as mudanças climáticas são apontadas pelos especialistas como um fator diretamente relacionado ao aumento dos níveis alcoólicos. A recente análise do IPCC (Intergovernmental Panel on Climate Change – Painel internacional sobre Mudanças Climáticas) aponta esta realidade.
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Para os críticos, este novo ‘estilo’ pode prejudicar alguns rótulos, uma vez que o teor alcoólico é simplesmente um componente da estrutura geral e deveria estar equilibrado com os outros elementos estruturais. Para o consumidor final, os vinhos com maior concentração de álcool são mais agradáveis e de fácil aceitação. No Rio Grande do Norte, o consultor Antônio Alves confirma esta preferência. “Acompanhamos o fato, mas até o presente momento, não há com que se preocupar. Os vinhos com teor maior são bem aceitos”, comentou.
Existem vários métodos que inibem o fenômeno e resulta na diminuição do álcool no vinho. Desta forma, hoje é possível escolher além do rótulo de sua preferência, a quantidade de álcool que mais agrada.
Fonte: revista Adega




