Uma degustação inesquecível com os vinhos da Casa Ferreirinha

Publicado em 06 de julho de 2010

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Fotos: Benício Siqueira/Deguste
 

Quando a pessoa é realmente comprometida com aquilo que faz, e principalmente se faz com uma boa dose de paixão, ela tem a capacidade de estar sempre se superando e nos surpreendendo. E isso é o que o empresário Marcelo Chianca consegue fazer no Magazzino Vinhos & Cozinha, a primeira delicatessen de Natal.

Marcelo Chianca mostra o Casa Ferreirinha 1984

Depois de promover recentemente uma interessante degustação com vinhos da Salentein feitos com a casta Merlot, Marcelo proporcionou na semana passada um momento singular para um pequeno grupo de enófilos, com outra degustação vertical, desta vez com os vinhos da Casa Ferreirinha, que pertence ao grupo Sogrape. As safras avaliadas foram as de 1984, 1989, 1990 e 2001.


 A degustação acontece em um ambiente intimista

Antes de iniciar a degustação, Marcelo fez algumas observações sobre os vinhos. Por recomendação da ficha técnica do produtor, ele disse que teve de deixar as garrafas em pé na adega 24 horas antes, para que todos os sedimentos ficassem no fundo de cada  garrafa. Outro detalhe verificado por ele foi à troca de rolha ocorrida no ano passado com o vinho da safra de 1984. Segundo Chianca, é tradição no grupo Sogrape a troca de rolha a cada 25 anos dos vinhos de guarda. “Isso faz parte do rigoroso controle de qualidade dessa empresa”, frisou. E todos os vinhos foram devidamente decantados com três horas de antecedência. Para ressaltar a excepcionalidade daquele momento, Marcelo nos informou que a produção desses vinhos não ultrapassa a casa das 50 mil garrafas por safra.

 O casal observa as características de cada safra

A degustação transcorreu com um belíssimo fado de fundo musical, afinal, os vinhos eram portugueses. Como da vez anterior, a prova teve início do vinho mais velho para o mais jovem, com grande expectativa para o primeiro rótulo, de 1984, ou seja, um vinho com mais de 25 anos e com uma boa história para contar…

Só que degustar um vinho de idade tão avançada requer muito cuidado para que não seja cometida nenhuma injustiça com ele. O que esperar desse vinho? Frescor, complexidade aromática, boa acidez e taninos firmes? Nem sempre isso é possível com vinhos tão longevos.

 Os vinhos da Casa Ferreirinha são de excelente qualidade

Pois bem, eu não pensei em nada disso e simplesmente me deixei “levar” pelos primeiros goles à boca, depois de ser surpreendido no nariz com notas ainda florais com uma agradável fruta vermelha. Mas na boca ficaram evidentes as especiarias. Os taninos não tinham uma grande presença mais estavam lá, educadamente. Apesar de não ter sido uma unanimidade, o vinho me impressionou bastante, pois o volume e sua estrutura formaram um conjunto interessante, que talvez tenha passado despercebido por algumas pessoas. Eu não podia esperar que ele apresentasse o mesmo frescor e acidez de um vinho jovem. Seria uma heresia de minha parte. O vinho é complexo e dele se exige muita paciência, pois mesmo com três horas de decantação, ele se apresentava diferente a cada gole sorvido.

 Marcelo Chianca concentrado para avaliar os vinhos

Com 12% de álcool, contra 11,5 % do anterior, o Casa Ferreirinha Reserva 1989 surpreendeu positivamente a todos os convidados. A presença dos taninos estava bem mais evidente. No nariz as notas vegetais podiam ser sentidas, acompanhadas por fruta madura. Na boca o vinho mostrou toda a sua elegância com notas de especiaria e frutas, além de uma persistência agradável. Um vinho para ser festejado.

 Clientes do Magazzino atentos às características do vinho

A decepção da noite, digamos assim, foi o Reserva Especial 1990. A avaliação ficou comprometida porque o vinho se manteve “fechado” durante todo o tempo. Não estamos aqui falando de nenhum defeito grave desse vinho. Ele simplesmente não quis participar da degustação. Tá no direito dele, não?

Bacalhau à la Chianca foi servido ao final da degustação

O último vinho degustado, o da safra de 2001, estava soberbo. Ele apresentava uma cor rubi muito concentrada e no nariz revelava uma grande complexidade, com notas de frutos pretos, especiarias e até um mineral. Com acidez marcante, agradava facilmente na boca, com taninos ainda jovens mais sem agressividade. É um vinho estruturado com o final longo e persistente. Tem bom potencial de guarda, mas se eu tivesse uma garrafa dele na minha casa eu juntaria um grupo de amigos e abriria imediatamente para compartilhar toda a intensidade e frescor de um grande vinho.

A sobremesa de ovos queimados fechou a noite

Como sempre acontece nos finais das degustações do Magazzino, Marcelo nos oferece um delicioso jantar. Obviamente que o prato só poderia ser um bom bacalhau. Servido gratinado com natas e sobre uma cama de arroz, o prato leva o nome do anfitrião: Bacalhau à la Chianca, que foi devidamente escoltado pelo bom vinho Vinha Grande, um tinto da safra 2006. De sobremesa foram servidos Ovos queimados, receita da mãe de Verônica Chianca.

Devido ao sucesso que as degustações verticais do Magazzino vêm fazendo, Marcelo Chianca está organizando mais uma prova, marcada para o dia 12 de agosto. O vinho? Simplesmente o Viu 1, da vinícola Viu Manent, um dos melhores da enologia chilena, elaborado somente em safras especiais.

Magazzino Vinhos & Cozinha
Rua Potengi, 576 – Petrópolis
Natal/RN
Fone: (84) 3212-1477