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Página anteriorUm ano do Selo Feito Potiguar: Entrevista com Zeca Melo, superintendente do Sebrae-RN

Ao completar, neste mês de abril, um ano de lançamento do movimento do Selo Feito Potiguar, a Deguste faz uma matéria especial com o Sebrae, articulador e idealizador do projeto. E a matéria começa com uma entrevista com Zeca Melo, superintendente da instituição no Rio Grande do Norte.
Qual balanço o senhor faz do primeiro ano de lançamento do movimento do Selo Feito Potiguar?
Zeca Melo: O Sebrae tem hoje 237 empresas vinculadas ao movimento, um número bastante considerável. Destes, são 178 produtores de alimentos e bebidas presentes em 58 municípios do Estado. Além disso, agregamos outras áreas, a exemplo de oito pecuaristas vinculados à produção de animais geneticamente importantes para o RN, mais de 30 restaurantes, sete hotéis e pousadas e cinco lojas apoiadoras que acreditam no projeto. Temos uma diversidade muito grande de setores, o que vai exigir de nós um olhar mais segmentado. Portanto, o saldo desde o lançamento do movimento Feito Potiguar é bastante positivo, com perspectiva real de crescimento para 2026.
Já existem negociações para colocar os produtos do Feito Potiguar em supermercados, que são estratégicos para a venda de varejo, em que os produtos ganham muita visibilidade e uma chance maior de venda?
Zeca Melo: Nós temos uma conversa muito boa com a Assurn (Associação de Supermercados do Rio Grande do Norte), o que não impede também de trabalharmos individualmente, a exemplo do que já existe com o Grupo Queiroz, através de uma ação específica de sinalização interna da sua loja aqui em Natal, distribuição de folheto promocional em área exclusiva, agendas comerciais de produtores e setores de compra da rede, além de outras iniciativas.
Então o selo Feito Potiguar já está dentro dos supermercados?
Zeca Melo: Estamos entrando. Esse trabalho está somente no começo, mas com uma chance muito grande de ampliação para outros supermercados.

O Selo também deve chegar muito forte nos restaurantes este ano, não é isso?
Zeca Melo: Com certeza. Nós já temos uma relação muito boa com os restaurantes. A gente tem que identificar todo esse segmento da gastronomia, que trabalha muito forte com os nossos produtos. Os hotéis e pousadas também se inserem nesse contexto porque eles trabalham, pelo menos, com o café da manhã, e isso já envolve o uso de produtos locais.
Esses dados que o senhor apresentou até agora mostram que o Selo já ganhou corpo desde o seu lançamento. O Sebrae esperava alcançar esses números em tão pouco tempo?
Zeca Melo: Não! Na verdade, eu acho que o crescimento do Feito Potiguar vem do resgate da nossa autoestima, com a percepção de produtores e consumidores de que nós temos produtos de altíssima qualidade que merecem ser mais valorizados e consumidos. O Selo vai nesse sentido e está encontrando um campo fértil para se posicionar na nossa sociedade. No início, nós pensamos apenas em como o Selo poderia ajudar a pequena empresa. Mas a sua aceitação foi tão boa, que já entraram médias e grandes empresas, e isso é motivo de orgulho para todos nós.
Quais foram as principais dificuldades que o Sebrae encontrou durante o período de lançamento do movimento Feito Potiguar para as pessoas entenderem e abraçarem o projeto?
Zeca Melo: Eu acho que a gente não vive um momento muito feliz de autoestima e de orgulho por uma série de motivos que não cabe eu citar agora, mas na medida em que os produtores foram entendendo o projeto e aonde ele poderia chegar, a adesão começou a acontecer. Eu achava que a gente chegaria no final de 2025 com cerca de 70 empresas inseridas no projeto, mas nós fechamos o ano com mais de 200 empresas, e esse número não para de crescer. Isso foi surpreendente!
Para o produtor participar do Feito Potiguar ele precisa ter sua empresa legalizada. Isso traz mais segurança alimentar para o consumidor, que pode pagar mais por um produto artesanal com valor agregado.
Zeca Melo: Exatamente! O perfil de consumo do mundo mostra que parcelas significativas do consumidor estão dispostas a pagar um preço maior quando ele sabe a identificação do produto, quando ele é sustentável, quando respeita o meio ambiente, e é isso que a gente está buscando, que é fazer um produto de qualidade. Para isso, precisamos melhorar as condições de trabalho do produtor, que ele consegue quando está legalizado, porque ele passa a contar com assessorias técnicas do Sebrae e conseguir também linhas de financiamento para incrementar seu negócio. Nós apoiamos totalmente a legalização dessas empresas.

O Feito Potiguar não se limita apenas a entregar ao estabelecimento um Selo para divulgação. Quais são as principais ações que o Sebrae desenvolve para que o Feito Potiguar se transforme realmente em um movimento de venda de produtos locais e de consumo consciente?
Zeca Melo: São várias ações que desenvolvemos, como ajudar no licenciamento ambiental da empresa, a questão da sustentabilidade, a identificação geográfica, rodadas de negócios, participação em feiras, fortalecimento de marcas, desenvolvimento de embalagens e geração de conteúdo, além de desenvolver campanhas de publicidade para dar mais visibilidade aos produtos do Feito Potiguar.
O consumidor já tem a percepção da existência do Selo Feito Potiguar e de seus produtos e empresas vinculados a ele, quando ele vai, por exemplo, a um restaurante?
Zeca Melo: Isso é um dos grandes desafios, mas nós já estamos em um estágio hoje muito melhor do que quando começamos. Só que ainda temos muito o que fazer, como envolver cada vez mais a sociedade, e isso passa também por ações políticas de valorização dos nossos produtos e serviços. É preciso que a classe política se comprometa com as coisas que sejam importantes para o desenvolvimento econômico do nosso Estado, e nesse contexto o movimento do Selo Feito Potiguar é de uma relevância muito grande porque ele é de todos nós.
O Feito Potiguar já tem um braço voltado para as exportações de seus produtos?
Zeca Melo: Sim. Nós já criamos um programa de exportação. E algumas empresas do Feito Potiguar já estão prontas para exportar os seus produtos e isso é motivo de comemoração para nós.
Para encerrar a nossa conversa, de forma bem objetiva, qual é a principal missão do Selo Feito Potiguar?
Zeca Melo: É fazer com que o potiguar se orgulhe de ser potiguar!
Parceiros do Selo Feito Potiguar
Parceiros do Selo Feito Potiguar, os representantes de algumas entidades se manifestam sobre o primeiro ano desse movimento, que já começa a mudar a vida de vários produtores do Estado, seja através da legalização de suas empresas, na melhoria dos processos de produção ou na venda final de seus produtos.
“O Feito Potiguar se firma como uma iniciativa relevante na valorização da produção local, fortalecendo cadeias produtivas e ampliando a competitividade dos pequenos empreendedores do RN. A Fecomércio RN atua como parceira, contribuindo na articulação com o setor de Comércio e Serviços e no reconhecimento de negócios que valorizam a identidade potiguar. Reafirmamos nosso compromisso em apoiar ações que ampliem visibilidade, certificação e acesso a mercado para as marcas do Estado”.
Marcelo Queiroz
Presidente da Fecomércio-RN
“O projeto do Selo Feito Potiguar cumpre um papel relevante ao valorizar o que é produzido no Rio Grande do Norte, especialmente na indústria de alimentos. Nesse primeiro ano, percebo a iniciativa como um passo importante para fortalecer a identidade dos nossos produtos, destacando ideias, inovação e a capacidade empreendedora das empresas potiguares. Além disso, o selo contribui para aproximar as empresas entre si e também do consumidor final, criando um ambiente mais favorável para a valorização da produção local e para o reconhecimento da indústria do nosso Estado.
Como todo projeto em consolidação, ainda há espaço para avançar. Um ponto importante é ampliar a visibilidade dos produtos identificados com o selo, especialmente no varejo. A presença em prateleiras ou espaços de destaque nos supermercados é estratégica para fortalecer o projeto e estimular mais empresas e produtores a aderirem. Hoje, apenas três grandes redes participam, e ampliar essa presença, certamente, ajudará a dar mais escala e reconhecimento ao Feito Potiguar”.
Roberto Serquiz
Presidente da FIERN
“A participação dos hotéis no movimento do Selo Feito Potiguar demonstra o compromisso da hotelaria com o desenvolvimento do Rio Grande do Norte. Ao abrir espaço para os produtos locais, fortalecemos a economia, valorizamos os produtores do Estado e qualificamos a experiência do turista. Essa integração entre setor produtivo e turismo gera resultados concretos para toda a cadeia e reforça o papel da hotelaria como parceira do crescimento do RN”.
Edmar Gadelha
Presidente da ABIH-RN
“Como presidente da Abrasel-RN, celebro o 1º ano do Selo Feito Potiguar como um divisor de águas para bares e restaurantes potiguares. Ele é o grande diferencial competitivo, elevando a qualidade com insumos locais autênticos, sustentabilidade e identidade cultural gastronômica do RN, atraindo turistas e clientes fiéis, que buscam o genuíno sabor da nossa terra. A adesão inicial foi fantástica – dezenas de estabelecimentos abraçaram a causa à primeira vista, com entusiasmo crescente, e sentimento de orgulho do nosso terroir, fortalecendo nossa cadeia produtiva e colocando o RN no mapa gastronômico nacional. Parabéns, Sebrae, por essa vitória coletiva!”
Thiago Haddad Machado
Presidente da Abrasel-RN
“A Federação da Agricultura, Pecuária e Pesca do Rio Grande do Norte – Faern – avalia o movimento do Feito Potiguar como uma iniciativa estratégica para valorizar a produção local e fortalecer a identidade dos alimentos do Rio Grande do Norte.

O selo amplia a visibilidade dos produtos, agrega valor e aproxima o produtor do mercado. E estimula a profissionalização, a padronização e a melhoria da qualidade, fatores essenciais para aumentar a competitividade. Além disso, abre oportunidades para pequenos e médios produtores ao facilitar o acesso a novos canais de comercialização. Para a Faern, trata-se de uma iniciativa relevante para integrar a cadeia produtiva e impulsionar o desenvolvimento regional, conectando o campo ao consumidor”.
José Vieira
Presidente do Sistema Faern/Senar






