Finalmente, qual o sentido do terroir?

Saberes do Vinho - Gilvan Passos

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O melhor emprego do conceito de
terroir traduz-se por gerar vinhos de aceitabilidade global sem jamais perder sua identidade local.

Não é fácil convergir na divergência, mas é disso que se trata. O terroir se expressa apenas nos vinhos que falam sobre sua identidade local, sobre sua territorialidade, sobre sua personalidade. No entanto, terroir talvez seja a palavra mais incompreendida e banalizada na linguagem do vinho, usada frequentemente como instrumento de marketing pela indústria, com o intuito de ‘poetificar’ e aquecer seus interesses mercadológicos frios.

Um vinho que expressa o seu terroir não tem a pretensão de agradar a quem o consome, mas de assumir sua real origem jamais abrindo mão disso. É um vinho que precisa ser compreendido na sua essência. Isso não significa que ele não possa ser hedônica e/ou tecnicamente ruim, porque ter expressão territorial não o exime de defeitos, significa requerer do apreciador algum nível de experiência para distinguir defeito de característica.

Um Jerez fino, vinho branco espanhol da D.O. Jerez de La Frontera, por exemplo, extremamente seco e mineral, quando, apreciado por um consumidor habituado a um vinho branco convencional, facilmente o chocará, pois o Jerez é um vinho de caráter oxidativo, diferentemente de um vinho branco convencional, cujo caráter é redutivo e frutado. Estamos falando de um vinho de gosto adquirido, o oposto de gosto inato. Isso é um vinho de terroir. 

Sem a ação do terroir, os vinhos se tornarão todos iguais, se ‘cocacolizarão’, perderão o seu sentido de pluralidade. Um trágico fenômeno que produziria estranhos do Minho, Barolos estandardizados, Portos padronizados, entre outros. 

Os vinhos, em que o terroir se expressam de forma fiel e adequadamente, são aqueles que preservam sua identidade própria e, para além das suas características peculiares, das suas particularidades, têm sua qualidade técnica igualmente preservada. Estes vinhos podem até não serem compreendidos e serem taxados de ruins por alguns apreciadores, porém não se trata de defeitos, mas de uma interpretação sensorial preconcebida, falha por parte de quem aprecia.