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Uma breve história sobre o vinho espanhol
A Espanha é o segundo país vinícola mais antigo da Europa Ocidental. O vinho começou a ser produzido na Andaluzia, região mais meridional do país, entre 1.100 e 500 a. C., com a chegada dos Fenícios à região de Cádiz. A conquista da Península Ibérica pelos romanos, no século II a. C. (em 194), levou a uma significativa melhoria dos processos de produção vitivinícola. Além disso, tinha como objetivo abastecer as tropas no local e integrar a região ao império.
O termo “Andaluzia” provém do árabe “Al-Andalus” uma corruptela de “Vândalos”, por causa de uma tribo germânica invasora que havia habitado esta área. “Al-andalus” foi o nome árabe dado pelos mulçumanos à Península Ibérica sob seu domínio durante a ocupação moura no século VIII. Os mouros eram os povos mulçumanos originários do Norte da África e durante sua ocupação na Península Ibérica, que durou 8 séculos (711 a 1492), o comércio vinícola foi suspenso.
No século XIV, o Vinho de Jerez de La Frontera (Jerez ou Xérès em espanhol e Sherry para os ingleses) torna-se um importante produto de exportação para toda Europa. Em seguida, com a expansão do império hispânico em 1492 para os mercados das Américas, intensificando-se entre os séculos XVII e XVIII com as grandes navegações.
Em 1858, teve início na Rioja o emprego de métodos bordaleses para a produção do vinho, quando Luciano de Murrieta (depois Marques de Murrieta) e Don Guilhermo Hurtado de Amézaga (depois Marques de Riscal), apaixonados e inspirados pelos vinhos de Bordeaux, aprimoraram técnicas e fundaram suas vinícolas na região. Essa iniciação francesa foi reforçada no final do século XIX com a chegada da Phyloxera Vastratix à França, em 1863, reduzindo a produção do vinho a 40% em 15 anos e fazendo com que os franceses focassem seus olhos para a Rioja, investindo na região com a construção de bodegas, novas técnicas de plantio e de vinificação.
No entanto, o grande salto do vinho no país se deu no final do século XX com o fim da ditadura de Francisco Franco, que durou de 1939 a 1975, e com a retomada da democracia em 1978, sendo intensificada com a entrada da Espanha na União Europeia, em 1986, resultando em grandes investimentos nos vinhedos e vinícolas do país.
A seca de 1992 e 19933 forçou os produtores a irrigarem seus vinhedos, condição proibida à época pelas D.O. (Denominações de Origens), sendo autorizada somente a partir de 2003, de modo que a Espanha, o maior vinhedo do mundo, devido às áreas secas, ao espaçamento de suas vinhas e a densidade produtiva dos seus vinhedos, sempre esteve posicionada em terceiro lugar na produção mundial do vinho.