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Alô, alô marciano!
Todos nós cozinheiros e chefes, vivemos intensamente em busca da receita perfeita e do prato ideal! Todos os dias, nossas mentes fervilham e borbulham em intensa criatividade para que tenhamos o resultado daquilo que queremos sempre: o encantamento do cliente e da perpetuação da lembrança gastronômica oferecida a ele. Porém, não é fácil!
Não basta apenas o conhecimento acadêmico ou mesmo a prática experimentada dos cozinheiros ou chefes mais antigos, esse desafio vai além de tudo isso, pois necessitamos de encontrar no comensal os sentimentos mais íntimos, maternais e que tenham um valor significativo, para que esse encantamento se produza. O que mais me deixa perplexo, é o fato de que essa receita perfeita pode não passar de um simples "picadinho de carne, com feijão e arroz", quando trabalhamos com a figura exótica e excêntrica de pratos elaborados e de espumas mirabolantes.
E imaginem vocês que ele queria "apenas" um picadinho de carne!! Então, por onde ir, ou melhor para onde ir? Para os conceitos da cozinha tecnoemocional ou para os cadernos de receitas das mães e avós, que tinham comum referência quase que, exclusivamente, os programas da "Ofélia e sua cozinha maravilhosa", com a sua muda assistente "Maria". E levando em consideração a proliferação de programas de chefes e gastronomia, ficamos perdidos com tantos conceitos e invencionices!
Parafraseando o ditado popular: "o menos pode ser mais", pode nos poupar de queimarmos tantas pestanas e panelas em busca desse prato perfeito e da receita ideal. O simples e bem feito, pode encantar muito mais do que o elaborado e exótico, a expressão da maternidade em um prato caseiro feito corretamente pode acalentar muito mais do que as expressões gastronômicas moleculares e cheias de alginatos, calcinatos e outros tantos "atos" que transformam o trivial em erudito, desnecessário e cheio de recheios escorregadios!!
Os cozinheiros e chefes, os gestores e estudiosos da gastronomia deviam fincar o pé no chão e se dedicarem ao conhecimento mais aprofundado do ser e do fazer, do que estafarem-se nas fórmulas estratosféricas de um simples churrasco feito em um domingo de sol nas casas das famílias brasileiras.
Voltemos às colheres de pau e às amas-de-leite e deixemos que o famigerado feijão com arroz faça às vezes de banquetes cheios de regalos e circunstâncias, ao invés de enchermos nossos estômagos com espumas e esferas eletrizantes do mercado da invencionice.
"Um salve para as culinaristas!" discípulas da Ofélia e um "Viva eternamente Vovó Palmirinha!" afinal de contas, nossos estômagos e nossas lembranças gastronômicas agradecem.
Alô, alô marciano, Terra chamando!!